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(foto: Andre Okuma)

Algumas pessoas têm sorte.

Você não imagina um Malcon X atrás de uma mesa de bar reclamando da vida e nem um Mandela choramingando pelo chão gelado da cela. E guardadas as devidas proporções, também não imaginamos os Poranduba sem estarem fazendo ou articulando alguma coisa que não seja arte, festival, música etc.

Veja só, a gente vive num planeta, que gira em torno de uma estrela e que está dentro de uma galáxia. Essa galáxia tem bilhões de estrelas. E ela é apenas uma entre as milhares de galáxias. Tudo isso com o agravante de que um dia o nosso Sol vai esfriar e o universo vai seguir seu rumo sem a gente. Vai vendo a treta que é essa nossa “insignificância cósmica”.

Mas mesmo insignificantes, cosmicamente falando, sempre que saímos dos eventos dos coletivos que a gente conhece ficamos com a sensação de que essa vida, sem sentido, ainda assim é um convite à aventura.

Tem horas que você faz um show ou festival num lugar fulêro. Com som zuado, sem direito a um goro e ainda por cima perigando até a pagar a sua própria entrada. E têm horas que você consegue patrocínio, palco firmeza, som, rango e até uma grana. Enfim, das coisas dessa vida sem importância cósmica.

Mas viver assim, nesse corre, dando sorte aqui e malasuerte ali, é um jeito bacana de se levar a vida ou é um fardo? A resposta é: ambos.

Pois é. Algumas pessoas têm essa sorte.

Cada um tem sua batalha e escolhe um jeito de lutar. Teve o chinês com sacola de mercado na mão parando uma fileira de tanques na Praça da Paz Celestial. Teve gente que lutou pra salvar golfinho e teve gente que jogou o bote em cima de navio baleeiro. Exemplos têm de montão. E cada um não fez isso por si. Fez pelos outros. Porque acredita que pro mundo ser mais bacana todo mundo tem de estar bem. Simples assim.

Você pode escolher lutar contra a guerra, contra os pedágios, contra a pobreza, contra o lucro dos bancos, contra o teste em animais etc. E pasme, pode até mesmo lutar por um espaço pra sua banda tocar. Úia!

Você também pode se candidatar a vereador e tentar mudar as regras via jogo político. Já que temos bancada evangélica, ruralista e tals, que tal uma bancada que cuide dos interesses das bandas underground? Why not?

Mas os Poranduba da vida têm uma modéstia admirável e, mesmo que consiga um apoio aqui, outro ali, por definição eles agem sozinhos. Sozinhos, mas de machado na mão e prontos para ir derrubando as portas.

Esse é o tipo de coisa que forma o caráter da pessoa.

E algumas pessoas têm essa sorte.

O Dezembro Independente, mais uma vez, foi de cair o queixo. Sábado e domingo com som de primeira e banda de todo estilo. Produção impecável e tratamento vip pra quem quisesse ver. E esse ano, além da conhecida venda de camiseta e cds, teve até barraca de pastel! Wow!

Fora os shows, né? Do nosso ponto de vista, já que só colamos lá no domingo, Hierofante Púrpura, Back in Bones, Luzco, Wrong e Krias de Kafka fizeram bunito que só. Hierofante emocionou a classe trabalhadora com homenagem aos céus no final do show. De marear o zóio. E o Krias até teve que tocar mais uma no final da festa. Sorte pra nós que curtimos “O amor é fudido” com som profissa e vendo os caras se divertindo pra caramba no palco. Uma pena que não pudemos ver de perto os amigos do Vicio Primavera, Topsyturvy, September Guests e outros. Mas pelo que disseram, todos desempenharam bunito. Enfim, o Dezembro Independente 2013 foi grandes momentos do esporte!

Já era umas 22h30 quando fecharam as cortinas. Aí teve foto histórica, confraternização e todo mundo felizão e vivão. Veja aqui como o segundo dia do festival pelas lentes do brother sangue-bom André Okuma.

E ó, no frigir dos ovos, em que pese a tal da “falta de importância cósmica”, a grande questão da vida do universo e tudo mais não é qual o sentido da vida, a questão é como dar sentido à vida.

Think about it.

Parabéns pelo festival seus Poranduba. E vida longa!

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