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Sábado passado teve a quarta edição Dezembro Independente. Dessa vez o lance se dividiu com shows no Campus Seis e no Divina Comédia. E quando o Alê nos convidou, a gente que é facinho toda vida só disse: “Craro! Onde é que a gente assina?” J

Quando chegamos no Campus Seis (Yeah! Reabriu de verdade!) encontramos um zilhão de amigos e ainda conseguimos ver algumas bandas, entre elas o Roswell (Fudido pra caralho!), Toppsyturvy (ídolos na região e cada vez mais aumentando seus tentáculos rumo à dominação. Pavorô!) e Contraponto (banda que fez a cabeça de muita gente que toca hoje em Mogi. Showzaço!).

Depois rumamos pro Divina.

O primeiro show da noite foi o The September Guests, do querido Fernando Lalli. Coisa fina. Coração se entregando e se rasgando ali na nossa frente. Bunito de se ver. Ouça o som aqui.

Na sequência fomos nosotros. Puta som de responsa que os caras levantaram ali. Começamos com 3 músicas da nova leva. Rá-tá-tá-tá. Depois teve sons do Granada, do primeiro e do terceiro disco. Tudo muito alto. E um calor infernal. Suando em bicas. Aí o Danilo Sevalli fez um backing vocal balbuciado ali no canto, a gente emendou as duas últimas e agradecemos por termos a sorte de estar ali.

O Infraaudio veio por último. E como disse o Danilo, nos transportaram para esferas loucas de tempos distantes ou medievais. Sumêmo! Classe A! Ouça os caras aqui.

E no meio disso tudo ainda teve o Gabriel e o Vinícius contando da viagem pra Alagoas, o Meteoro dando dicas de pedal, o Rafael explicando a história dele e o trompete no show do La Carne, o Zé e a Andréa, a Ana Tomé, o Elvis, a Aline, a Nyne, a Camilona, a Tânia, o Henrique, o Mixel contando do clipe do Vício Primavera, e muito, muito mais gente.

Olha, organizar um festival, e lidar com tudo que isso acarreta – horários, cronogramas, produção, egos e tudo mais – é para os fortes. E quem organizou a parada, além de tudo, ainda tem a mente quieta, a espinha ereta e, claro, o coração tranquilo. Né, Walter?

E um dos pontos mais importantes de se fazer um festival desses é levar as pessoas a discutir esse modelo de cultura que estão nos empurrando goela abaixo, onde agora tudo é mercado e todo mundo é cliente.

Utopia? Ok, pode ser. Mas escolhemos viver assim a achar que não há mais solução. Essa é a maneira que você tem para mostrar o seu desprezo. Para a mídia, para os colunistas, para os formadores de opinião e para os especialistas que insistem em dizer que não há alternativa.

Só que a gente sabe que há.

Mas então, como é que tudo isso começou?

Como o Rock (e a arte) no Brasil virou coisa de revista de celebridade, de festas, de premiações, de “produtores reis Midas” que onde tudo tocam vira ouro, de campanha publicitária de celular que “vai-te-ajudar-a-mostrar-a-sua-banda”, de programas tipo ídolos, The Voice e o caralho a quatro que teimam em mostrar que tudo só sobrevive se for mega, se for over, se for estrelato, fama e glória. E quem não está no esquema é o looser, o fracassado, o dinossauro que não se “adapta”.

Será que não nos acomodamos demais e aí quando abrimos os olhos a merda já tinha sido feita? Você já falou com alguém, do alto dos seus 20 anos, e que tem uma visão tão mercadológica de tudo, absolutamente tudo, que dá até medo e aí você se pergunta cadê o brilho da contestação e o espírito da revolta que deveria ser inerente a todo jovem? Como é que chegamos a isso?

Pois bem, esse é um processo. Um processo de emburrecimento previamente calculado. Hoje as universidades formam cada vez mais tecnocratas e menos seres humanos capazes de dar um “oi” pro vizinho. Ninguém mais precisa de aptidão emocional ou ética. Eles te ensinam como ganhar a vida. Mas não a viver.

Por isso a importância de não aceitar.

Por isso a importância da arte de guerrilha, dos festivais com bandas autorais, onde você pode ver gente de carne e osso, que rala o mesmo que você no dia a dia, paga as contas, trabalha em um trampo qualquer e não se sente diminuído por isso. E dia a dia, ação após ação, vai chegar a hora em que a tensão não vai mais poder ser maquiada.

As ruas não são como a Disneylândia, certo?

O Dezembro Independente, como tantos outros por aí, é prova que o movimento vem de baixo. Tal como os protestos do Occupy, que tomaram de assalto diversos lugares no mundo, nós somos os 99%. E é preciso mais de uma década de luta para que os “loucos” e os que “não se adaptaram” sejam ouvidos. E historicamente, toda grande ideia apareceu dos loucos, nénão?

Então, depois desse fim de semana, vendo de perto as pessoas que dão a cara à tapa e fazem acontecer, entendemos o quanto somos pessoas de sorte e que, definitivamente, estamos com a razão.

E mesmo que a razão fale baixo, ela nunca se cala.

Um brinde, Poranduba!

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